quinta-feira, 25 de março de 2010

Regresso

Esta melancolia assustadora,
Nesta fria noite de Março
Lembra-me coisas de outrora...
Momentos de puro cansaço.

Mudou tanta coisa entretanto
Mas, continuo a mesma mistificação
De névoa e fumo, o meu manto...
A minha mortalha de protecção.

Tinha saudades de falar comigo,
Há quanto tempo não me ouvia...
Deixei, por um tempo, de ser meu amigo
Esfumou-se, nessa altura, o que existia.

Uma sensação de vazio tremenda,
Uma solidão incalculável!
E esta pobre alma que não em emenda...
Sempre instável, sempre instável.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Velas

As velas ardem até ao fim,
Se ninguém, pelo meio, as apagar.
Extinguindo-se, fica uma parte de mim
Que pode nunca mais voltar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Poesia

Ouvi dizer que a poesia era algo belo,
Era algo que fazia até sonhar acordado
Mas o que eu escrevo é quase um pesadelo
Que nem merece ser sonhado.

Portanto, o que escrevo não é poesia.
Haverá então poemas desprovidos de beleza?
Se assim fosse, então como seria?
Seriam chamados os "Versos da Tristeza"!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Num claro retrocesso,
Volto a ser um menino
Que de luz acesa lê algo
Que não entende ao certo,
Por isso, fecha o livro,
Volta a apagar a luz
E sonha de olhos abertos para a escuridão...
Depois de mim.
Sou o que nem acho que sou.
Aquela condensação estranha de fumos
Negros e cinzentos, suponho.
Ou talvez não, ou talvez não...
Talvez a minha existência tenha de facto
Um propósito qualquer,
Complexamente distante do propósito
Que penso nem existir.
Vendo bem, eu sou daquelas pessoas
A quem foi atribuído o grande prémio da vida,
Que no fundo é a própria vida.
Ganhei ainda o prémio que é poder ver as flores,
Sentir-lhes o cheiro doce que encanta e adormece
Para assim poder fugir pela janela que nos faz voar.
(Para longe, longe...bem alto, alto).
Saiu-me a Sorte Grande e nem dei conta...
E posso amar,
E sou capaz de deixar amar.
Haverá algo mais belo que o Amor?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Tempo de viagem

Caminho por caminhos sinuosos
Sem sair do meu lugar
(Isto, se é que tenho um)
De olhos estupidamente abertos
E nada vislumbro,
Culpa do rasteiro sol matinal
Ainda coladinho ao ombro
Do monte velho...
Mesmo sem nada ver,
Sigo com o meu caminhar
(Seja qual for o destino, não importa).
                                        

  Respiro.

Caminho por caminhar,
Para não estar parado, imóvel...
Mas estou envolto em inércia pura,
Ligeiramente agitada pelos movimentos
De rotação e de translação
E pelas viagens do meu pensamento inquieto.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Amor?

Desprovido de bom senso,
Canto baixinho uma melodia
E ouço o Mundo.
Escrevo o Amor por extenso
O Amor nosso de cada dia
E, de alívio, respiro fundo.

Tenho um nó no pensamento,
Coisa rara, coisa rara.

(Escuridão)

O tal Amor alumia o momento
E, o Mundo nem repara.

Falta-me a certeza.
Mas que interessa?
É um Amor-surpresa
Sem pressas, sem pressa.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Perdição

Estou aqui hoje, frente a frente comigo
E, num suspiro enorme e doloroso
Mandei ralo abaixo a minha alma
Mas, no fundo estou semelhante...
Um cafezinho, um cigarrinho e a coisa vai!
(Ruídos, ruídos, ruídos da minha alma
A ranger que nem uma desalmada).
E com os olhos cansados do futuro
Assumo-me um caco roto.
Um cafezito e um cigarrito...
Hoje estou aqui e, é aqui que quero estar.
A vida sorri do lado de lá da vidraça,
E, eu sinto disponibilidade para um tête-à-tête.
Acho que continuo perdido na vastidão do nada,
Perdido de mim, perdido de ti.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Futuro?

Esvai-se num sorrizo largo e verdadeiro,
Um pensamento só meu.
(Suponho que seja só meu).
Sem esperar minimamente, apareceu
Um futuro todo em flor, desejando
Não sucumbir às adversidades do tempo,
E, chegar um dia a ser fruto da vontade do destino,
(Qual destino?)
Ou da vontade de outra coisa qualquer.
Em filosofia de café intorrogo-me...
Qual é a coisa, qual é ela
Que apareceu e é tão bela?
Problema filosófico de café
Sem solução á vista, por enquanto...

Ser ou Não Ser?

Nem sempre sou o que sou realmente,
Tenho de admitir com vergonha
Sou por vezes, algo que sonha
Em deixar, mesmo até, de ser gente.

Reflexão Breve

Conta-me uma história bonita,
Que hoje tudo me corre mal
(Penso eu).
Sinto a cabeça a latejar,
Como se não dormisse à 34 horas.
Paira sobe o meu pensamento
Uma névoa, uma bruma perigosamente cerrada.
(Acabei por ser eu a contar história nenhuma,
Quanto mais bonita...)
Ardem-me os olhos!
(Efeito secundário desta claridade artificial
Que alumia esta minha noite trajada de escuridão).
Estava prestes a sufocar,
De tão cheio destas coisas que me invadiram
Este peito desatento...
Livro-me da inocência, pois,
Como todos os culpados, eu penso!
A noite canta agora uma vertiginosa composição musical.
Volto a pedir-te um favor,
Carregado de importância de tão
Insignificante que aparenta tal pedido.
Espera-me do outro lado da ponte
Que não acaba...
Não sei onde nos levará,
Mas que interessa isso?
Espera-me lá, se eu não chegar primeiro.