Um suspiro.
Uma flor que murcha lentamente,
Um olhar estático e impenetrável,
Um silêncio exótico.
Um café,
Um cigarro,
E um Mundo semelhante.
Uma vida,
Uma noite e uns copos...
Um grito que se solta,
Em sigilo absoluto,
Um nada e um tudo.
Um mar inteiro
De memórias passadas,
De futuros possíveis,
E uma alma.
Uma só alma.
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Descanso
Estou triste...
Não sei porquê.
Estou chateado...
Não sei com quem.
Estou doente...
E não tenho doença alguma!
Sinto saudade...
Sem saber de quê ao certo.
Tenho sono...
E tenho porque sou humano.
Porque o pensamento não pára,
Porque esta dor não abranda,
Porque o tempo não espera,
Porque o descanso não se compra...
É uma necessidade,
(Exigências da própria vida).
E descansar é uma fase de preparação
Para voltar a usufruir da vida plena...
Ainda que a plenitude da vida
Não seja solidária com quem a vive.
Ainda assim,
A tristeza, a chatice,
A doença, a saudade
São reais, intensas,
E destrutivas.
O descanso é apenas e só
Uma necessidade.
Um segundo basta
Deixa-me adormecer,
Deixa a madrugada visitar o meu sono
Deixa os meus sonhos caírem como folhas de Outono.
Deixa...
Deixa-me repousar
Deixa meu pensamento descansar
Deixa meu corpo dormir, deixa a minha alma sonhar.
Deixa...
Liberta-me um segundo,
Não peço o sol, não peço o Mundo...
Deixa a madrugada visitar o meu sono
Deixa os meus sonhos caírem como folhas de Outono.
Deixa...
Deixa-me repousar
Deixa meu pensamento descansar
Deixa meu corpo dormir, deixa a minha alma sonhar.
Deixa...
Liberta-me um segundo,
Não peço o sol, não peço o Mundo...
Et cetera
É de forma reticente que encaro a vida,
E com reticências lhe dou uso
Rumo certo para um Mundo mais confuso
De caminhos por traçar e de muralha já erguida...
Tenho certeza de quase nada,
E tenho dúvidas acerca de quase tudo!
Por isto, deixo em aberto o conteúdo
Daquilo que me não agrada.
Sou feito de pensamento e sonhos breves
E com sonhos alimento a minha vida.
Pensar?Incomoda como insónia sofrida
Que me apaga os sonhos leves, tão leves...
As reticências são a minha essência natural,
Que me livram de sucumbir carbonizado
Pelas chamas do saber absoluto e unificado,
Que não passa de uma ambição supérflua e irracional.
De que valeria o Mundo inteiro
Se o Mundo soubesse toda a verdade?
A dúvida é sempre uma boa parceira...
E as retiências, uma feliz fatalidade.
E com reticências lhe dou uso
Rumo certo para um Mundo mais confuso
De caminhos por traçar e de muralha já erguida...
Tenho certeza de quase nada,
E tenho dúvidas acerca de quase tudo!
Por isto, deixo em aberto o conteúdo
Daquilo que me não agrada.
Sou feito de pensamento e sonhos breves
E com sonhos alimento a minha vida.
Pensar?Incomoda como insónia sofrida
Que me apaga os sonhos leves, tão leves...
As reticências são a minha essência natural,
Que me livram de sucumbir carbonizado
Pelas chamas do saber absoluto e unificado,
Que não passa de uma ambição supérflua e irracional.
De que valeria o Mundo inteiro
Se o Mundo soubesse toda a verdade?
A dúvida é sempre uma boa parceira...
E as retiências, uma feliz fatalidade.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Regresso
Esta melancolia assustadora,
Nesta fria noite de Março
Lembra-me coisas de outrora...
Momentos de puro cansaço.
Momentos de puro cansaço.
Mudou tanta coisa entretanto
Mas, continuo a mesma mistificação
De névoa e fumo, o meu manto...
A minha mortalha de protecção.
De névoa e fumo, o meu manto...
A minha mortalha de protecção.
Tinha saudades de falar comigo,
Há quanto tempo não me ouvia...
Deixei, por um tempo, de ser meu amigo
Esfumou-se, nessa altura, o que existia.
Uma sensação de vazio tremenda,
Uma solidão incalculável!
Uma solidão incalculável!
E esta pobre alma que não em emenda...
Sempre instável, sempre instável.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Velas
As velas ardem até ao fim,
Se ninguém, pelo meio, as apagar.
Extinguindo-se, fica uma parte de mim
Que pode nunca mais voltar.
Se ninguém, pelo meio, as apagar.
Extinguindo-se, fica uma parte de mim
Que pode nunca mais voltar.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Poesia
Ouvi dizer que a poesia era algo belo,
Era algo que fazia até sonhar acordado
Mas o que eu escrevo é quase um pesadelo
Que nem merece ser sonhado.
Portanto, o que escrevo não é poesia.
Haverá então poemas desprovidos de beleza?
Se assim fosse, então como seria?
Seriam chamados os "Versos da Tristeza"!
Era algo que fazia até sonhar acordado
Mas o que eu escrevo é quase um pesadelo
Que nem merece ser sonhado.
Portanto, o que escrevo não é poesia.
Haverá então poemas desprovidos de beleza?
Se assim fosse, então como seria?
Seriam chamados os "Versos da Tristeza"!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Num claro retrocesso,
Volto a ser um menino
Que de luz acesa lê algo
Que não entende ao certo,
Por isso, fecha o livro,
Volta a apagar a luz
E sonha de olhos abertos para a escuridão...
Depois de mim.
Sou o que nem acho que sou.
Aquela condensação estranha de fumos
Negros e cinzentos, suponho.
Ou talvez não, ou talvez não...
Talvez a minha existência tenha de facto
Um propósito qualquer,
Complexamente distante do propósito
Que penso nem existir.
Vendo bem, eu sou daquelas pessoas
A quem foi atribuído o grande prémio da vida,
Que no fundo é a própria vida.
Ganhei ainda o prémio que é poder ver as flores,
Sentir-lhes o cheiro doce que encanta e adormece
Para assim poder fugir pela janela que nos faz voar.
(Para longe, longe...bem alto, alto).
Saiu-me a Sorte Grande e nem dei conta...
E posso amar,
E sou capaz de deixar amar.
Haverá algo mais belo que o Amor?
Volto a ser um menino
Que de luz acesa lê algo
Que não entende ao certo,
Por isso, fecha o livro,
Volta a apagar a luz
E sonha de olhos abertos para a escuridão...
Depois de mim.
Sou o que nem acho que sou.
Aquela condensação estranha de fumos
Negros e cinzentos, suponho.
Ou talvez não, ou talvez não...
Talvez a minha existência tenha de facto
Um propósito qualquer,
Complexamente distante do propósito
Que penso nem existir.
Vendo bem, eu sou daquelas pessoas
A quem foi atribuído o grande prémio da vida,
Que no fundo é a própria vida.
Ganhei ainda o prémio que é poder ver as flores,
Sentir-lhes o cheiro doce que encanta e adormece
Para assim poder fugir pela janela que nos faz voar.
(Para longe, longe...bem alto, alto).
Saiu-me a Sorte Grande e nem dei conta...
E posso amar,
E sou capaz de deixar amar.
Haverá algo mais belo que o Amor?
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Tempo de viagem
Caminho por caminhos sinuosos
Sem sair do meu lugar
(Isto, se é que tenho um)
De olhos estupidamente abertos
E nada vislumbro,
Culpa do rasteiro sol matinal
Ainda coladinho ao ombro
Do monte velho...
Mesmo sem nada ver,
Sigo com o meu caminhar
Caminho por caminhar,
Para não estar parado, imóvel...
Mas estou envolto em inércia pura,
Ligeiramente agitada pelos movimentos
De rotação e de translação
E pelas viagens do meu pensamento inquieto.
Sem sair do meu lugar
(Isto, se é que tenho um)
De olhos estupidamente abertos
E nada vislumbro,
Culpa do rasteiro sol matinal
Ainda coladinho ao ombro
Do monte velho...
Mesmo sem nada ver,
Sigo com o meu caminhar
(Seja qual for o destino, não importa).
Respiro.
Caminho por caminhar,
Para não estar parado, imóvel...
Mas estou envolto em inércia pura,
Ligeiramente agitada pelos movimentos
De rotação e de translação
E pelas viagens do meu pensamento inquieto.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Amor?
Desprovido de bom senso,
Canto baixinho uma melodia
E ouço o Mundo.
Escrevo o Amor por extenso
O Amor nosso de cada dia
E, de alívio, respiro fundo.
Tenho um nó no pensamento,
Coisa rara, coisa rara.
(Escuridão)
O tal Amor alumia o momento
E, o Mundo nem repara.
Falta-me a certeza.
Mas que interessa?
É um Amor-surpresa
Sem pressas, sem pressa.
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