Um dia serei eu, apenas eu.
E, nesse dia, liberto de tudo o resto
Darei o peito por uma causa
(Pela mesma causa, diga-se!)
Sacrificarei o corpo,
(Que é pó da terra, apenas).
Verterei cada lágrima
(Com a mesma força da primeira.)
Doarei cada gota do meu sangue
(Por uma causa nobre, espero...)
A mesma causa.
Um dia serei eu,
Mas um dia é tarde.
domingo, 25 de abril de 2010
(...)
Clivagem lenta e aguda
Deste coração fraco e redondo.
Sofreguidão muda,
Quase de crime hediondo!
Calar o sopro do coração
Afundando, sabe-se lá onde,
Sentimentos que os neurónios carregam
Para um local onde nada se esconde.
(Com a mente já rouca
De tantos gritos soltar,
Cala-se a minha voz louca
Que nunca se fez escutar).
E pelos socalcos dos culpados
Caminho de cabeça baixa, com vergonha...
Há sentimentos que não podem ser largados
De forma tão fria e medonha.
Deste coração fraco e redondo.
Sofreguidão muda,
Quase de crime hediondo!
Calar o sopro do coração
Afundando, sabe-se lá onde,
Sentimentos que os neurónios carregam
Para um local onde nada se esconde.
(Com a mente já rouca
De tantos gritos soltar,
Cala-se a minha voz louca
Que nunca se fez escutar).
E pelos socalcos dos culpados
Caminho de cabeça baixa, com vergonha...
Há sentimentos que não podem ser largados
De forma tão fria e medonha.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Segredo
Noite.
Noite estranha esta,
Em que esta cabeça endoidecida
Importuna o meu fiel descanso.
Agradável.
Agradável como nunca antes
Este calor que quase arrepia...
Está calor de facto.
(Em círculos, fujo de mim
Correndo irracionalmente).
A manhã levanta-se preguiçosamente,
Como se nem fosse dia de trabalho,
E o sol custa a penetrar as pequenas frestas
Que ficaram esquecidas de propósito.
Que correria doida nesta cabeça!
O tempo passou doido também
Quase como se nem tivesse passado.
Um cigarro? Talvez sim, talvez não.
Pelo menos por agora não,
(Aguenta vício, aguenta).
Quando eu regressar a mim quem sabe.
Noite estranha esta,
Em que esta cabeça endoidecida
Importuna o meu fiel descanso.
Agradável.
Agradável como nunca antes
Este calor que quase arrepia...
Está calor de facto.
(Em círculos, fujo de mim
Correndo irracionalmente).
A manhã levanta-se preguiçosamente,
Como se nem fosse dia de trabalho,
E o sol custa a penetrar as pequenas frestas
Que ficaram esquecidas de propósito.
Que correria doida nesta cabeça!
O tempo passou doido também
Quase como se nem tivesse passado.
Um cigarro? Talvez sim, talvez não.
Pelo menos por agora não,
(Aguenta vício, aguenta).
Quando eu regressar a mim quem sabe.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Beleza rara
Estonteante
A paleta de cores, a imponência magistral,
Hipnotizante. Hipnotismo, sim!
Floresce de um monte de folhas verdes
Um mundo inteiro de beleza
Feito de cachos de carne vegetal.
Quase não dá para descrever
Tamanha beleza...
Imperatriz de todas as restantes,
Orquídea.
Rainha dos jardins, das varandas,
De todo e qualquer sítio.
A perfeição do desing, actual,
Supremo, perfeito.
E num suspiro largamente apaixonado
Pelo desabrochar magnífico
De um botão frágil,
Cai a palavra Orquídea.
A paleta de cores, a imponência magistral,
Hipnotizante. Hipnotismo, sim!
Floresce de um monte de folhas verdes
Um mundo inteiro de beleza
Feito de cachos de carne vegetal.
Quase não dá para descrever
Tamanha beleza...
Imperatriz de todas as restantes,
Orquídea.
Rainha dos jardins, das varandas,
De todo e qualquer sítio.
A perfeição do desing, actual,
Supremo, perfeito.
E num suspiro largamente apaixonado
Pelo desabrochar magnífico
De um botão frágil,
Cai a palavra Orquídea.
terça-feira, 30 de março de 2010
Chuva
Chove imenso.
Em redor da minha janela,
Todas as outras estão fechadas
Só a minha está escancarada.
Apenas uma senhora
Na rua deserticamente inundada,
Caminhando como se nada fosse.
Chove menos agora...
A fresta permanece aberta.
Como eu gosto do cheiro desta janela!
Idilicamente inebriante este cheiro
De chuva caída recentemente.
Cada vez chove menos.
É uma pena,
Quem me dera que chovesse mais.
Em redor da minha janela,
Todas as outras estão fechadas
Só a minha está escancarada.
Apenas uma senhora
Na rua deserticamente inundada,
Caminhando como se nada fosse.
Chove menos agora...
A fresta permanece aberta.
Como eu gosto do cheiro desta janela!
Idilicamente inebriante este cheiro
De chuva caída recentemente.
Cada vez chove menos.
É uma pena,
Quem me dera que chovesse mais.
Coisas da vida
Um suspiro.
Uma flor que murcha lentamente,
Um olhar estático e impenetrável,
Um silêncio exótico.
Um café,
Um cigarro,
E um Mundo semelhante.
Uma vida,
Uma noite e uns copos...
Um grito que se solta,
Em sigilo absoluto,
Um nada e um tudo.
Um mar inteiro
De memórias passadas,
De futuros possíveis,
E uma alma.
Uma só alma.
Uma flor que murcha lentamente,
Um olhar estático e impenetrável,
Um silêncio exótico.
Um café,
Um cigarro,
E um Mundo semelhante.
Uma vida,
Uma noite e uns copos...
Um grito que se solta,
Em sigilo absoluto,
Um nada e um tudo.
Um mar inteiro
De memórias passadas,
De futuros possíveis,
E uma alma.
Uma só alma.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Descanso
Estou triste...
Não sei porquê.
Estou chateado...
Não sei com quem.
Estou doente...
E não tenho doença alguma!
Sinto saudade...
Sem saber de quê ao certo.
Tenho sono...
E tenho porque sou humano.
Porque o pensamento não pára,
Porque esta dor não abranda,
Porque o tempo não espera,
Porque o descanso não se compra...
É uma necessidade,
(Exigências da própria vida).
E descansar é uma fase de preparação
Para voltar a usufruir da vida plena...
Ainda que a plenitude da vida
Não seja solidária com quem a vive.
Ainda assim,
A tristeza, a chatice,
A doença, a saudade
São reais, intensas,
E destrutivas.
O descanso é apenas e só
Uma necessidade.
Um segundo basta
Deixa-me adormecer,
Deixa a madrugada visitar o meu sono
Deixa os meus sonhos caírem como folhas de Outono.
Deixa...
Deixa-me repousar
Deixa meu pensamento descansar
Deixa meu corpo dormir, deixa a minha alma sonhar.
Deixa...
Liberta-me um segundo,
Não peço o sol, não peço o Mundo...
Deixa a madrugada visitar o meu sono
Deixa os meus sonhos caírem como folhas de Outono.
Deixa...
Deixa-me repousar
Deixa meu pensamento descansar
Deixa meu corpo dormir, deixa a minha alma sonhar.
Deixa...
Liberta-me um segundo,
Não peço o sol, não peço o Mundo...
Et cetera
É de forma reticente que encaro a vida,
E com reticências lhe dou uso
Rumo certo para um Mundo mais confuso
De caminhos por traçar e de muralha já erguida...
Tenho certeza de quase nada,
E tenho dúvidas acerca de quase tudo!
Por isto, deixo em aberto o conteúdo
Daquilo que me não agrada.
Sou feito de pensamento e sonhos breves
E com sonhos alimento a minha vida.
Pensar?Incomoda como insónia sofrida
Que me apaga os sonhos leves, tão leves...
As reticências são a minha essência natural,
Que me livram de sucumbir carbonizado
Pelas chamas do saber absoluto e unificado,
Que não passa de uma ambição supérflua e irracional.
De que valeria o Mundo inteiro
Se o Mundo soubesse toda a verdade?
A dúvida é sempre uma boa parceira...
E as retiências, uma feliz fatalidade.
E com reticências lhe dou uso
Rumo certo para um Mundo mais confuso
De caminhos por traçar e de muralha já erguida...
Tenho certeza de quase nada,
E tenho dúvidas acerca de quase tudo!
Por isto, deixo em aberto o conteúdo
Daquilo que me não agrada.
Sou feito de pensamento e sonhos breves
E com sonhos alimento a minha vida.
Pensar?Incomoda como insónia sofrida
Que me apaga os sonhos leves, tão leves...
As reticências são a minha essência natural,
Que me livram de sucumbir carbonizado
Pelas chamas do saber absoluto e unificado,
Que não passa de uma ambição supérflua e irracional.
De que valeria o Mundo inteiro
Se o Mundo soubesse toda a verdade?
A dúvida é sempre uma boa parceira...
E as retiências, uma feliz fatalidade.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Regresso
Esta melancolia assustadora,
Nesta fria noite de Março
Lembra-me coisas de outrora...
Momentos de puro cansaço.
Momentos de puro cansaço.
Mudou tanta coisa entretanto
Mas, continuo a mesma mistificação
De névoa e fumo, o meu manto...
A minha mortalha de protecção.
De névoa e fumo, o meu manto...
A minha mortalha de protecção.
Tinha saudades de falar comigo,
Há quanto tempo não me ouvia...
Deixei, por um tempo, de ser meu amigo
Esfumou-se, nessa altura, o que existia.
Uma sensação de vazio tremenda,
Uma solidão incalculável!
Uma solidão incalculável!
E esta pobre alma que não em emenda...
Sempre instável, sempre instável.
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