segunda-feira, 17 de maio de 2010

Grito de Revolta em Silêncio

Se me encontrares perdido de mim,
Deixa-me ir na névoa da minha existência,
Nos braços da vida ténue.
Deixa-me mutilar com memórias possíveis,
Coisa de insano que, no fundo, me define.

Como quem grita, abafo a dor de um destino.
(Sem destino, sem nada)
Atentamente, seguindo o balouçar sigiloso do pensamento
E ondulando, de forma suave, os lábios numa melodia calma,
Chego a um porto de abrigo, num mar distante da realidade.

Se algum dia eu quebrar o silêncio prometido,
Não escutes uma palavra, ignora esta pobre e fraca alma...
Momentos que ficam nas memórias que perduram;
Pendentes, no altar das minhas dores medonhas.
A catedral impura que manda no que sou.


Sinto a alma em carne viva.

domingo, 25 de abril de 2010

Um dia é tarde.

Um dia serei eu, apenas eu.
E, nesse dia, liberto de tudo o resto
Darei o peito por uma causa
(Pela mesma causa, diga-se!)
Sacrificarei o corpo,
(Que é pó da terra, apenas).
Verterei cada lágrima
(Com a mesma força da primeira.)
Doarei cada gota do meu sangue
(Por uma causa nobre, espero...)
A mesma causa.
Um dia serei eu,
Mas um dia é tarde.

(...)

Clivagem lenta e aguda
Deste coração fraco e redondo.
Sofreguidão muda,
Quase de crime hediondo!

Calar o sopro do coração
Afundando, sabe-se lá onde,
Sentimentos que os neurónios carregam
Para um local onde nada se esconde.

(Com a mente já rouca
De tantos gritos soltar,
Cala-se a minha voz louca
Que nunca se fez escutar).

E pelos socalcos dos culpados
Caminho de cabeça baixa, com vergonha...
Há sentimentos que não podem ser largados
De forma tão fria e medonha.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Segredo

Noite.
Noite estranha esta,
Em que esta cabeça endoidecida
Importuna o meu fiel descanso.
Agradável.
Agradável como nunca antes
Este calor que quase arrepia...
Está calor de facto.
(Em círculos, fujo de mim
Correndo irracionalmente).
A manhã levanta-se preguiçosamente,
Como se nem fosse dia de trabalho,
E o sol custa a penetrar as pequenas frestas
Que ficaram esquecidas de propósito.
Que correria doida nesta cabeça!
O tempo passou doido também
Quase como se nem tivesse passado.
Um cigarro? Talvez sim, talvez não.
Pelo menos por agora não,

(Aguenta vício, aguenta).
Quando eu regressar a mim quem sabe.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Beleza rara

Estonteante
A paleta de cores, a imponência magistral,
Hipnotizante. Hipnotismo, sim!
Floresce de um monte de folhas verdes
Um mundo inteiro de beleza
Feito de cachos de carne vegetal.
Quase não dá para descrever
Tamanha beleza...
Imperatriz de todas as restantes,
Orquídea.
Rainha dos jardins, das varandas,
De todo e qualquer sítio.
A perfeição do desing, actual,
Supremo, perfeito.
E num suspiro largamente apaixonado
Pelo desabrochar magnífico
De um botão frágil,
Cai a palavra Orquídea.

terça-feira, 30 de março de 2010

Chuva

Chove imenso.
Em redor da minha janela,
Todas as outras estão fechadas
Só a minha está escancarada.

Apenas uma senhora
Na rua deserticamente inundada,
Caminhando como se nada fosse.
Chove menos agora...

A fresta permanece aberta.
Como eu gosto do cheiro desta janela!
Idilicamente inebriante este cheiro
De chuva caída recentemente.

Cada vez chove menos.
É uma pena,
Quem me dera que chovesse mais.

Coisas da vida

Um suspiro.
Uma flor que murcha lentamente,
Um olhar estático e impenetrável,
Um silêncio exótico.
Um café,
Um cigarro,
E um Mundo semelhante.
Uma vida,
Uma noite e uns copos...
Um grito que se solta,
Em sigilo absoluto,
Um nada e um tudo.
Um mar inteiro
De memórias passadas,
De futuros possíveis,
E uma alma.
Uma só alma.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Descanso

Estou triste...
Não sei porquê.
Estou chateado...
Não sei com quem.
Estou doente...
E não tenho doença alguma!
Sinto saudade...
Sem saber de quê ao certo.
Tenho sono...
E tenho porque sou humano.
Porque o pensamento não pára,
Porque esta dor não abranda,
Porque o tempo não espera,
Porque o descanso não se compra...
É uma necessidade,
(Exigências da própria vida).
E descansar é uma fase de preparação
Para voltar a usufruir da vida plena...
Ainda que a plenitude da vida
Não seja solidária com quem a vive.



Ainda assim,
A tristeza, a chatice,
A doença, a saudade
São reais,  intensas,
E destrutivas.
O descanso é apenas e só
Uma necessidade.

Um segundo basta

Deixa-me adormecer,
Deixa a madrugada visitar o meu sono
Deixa os meus sonhos caírem como folhas de Outono.
Deixa...

Deixa-me repousar
Deixa meu pensamento descansar
Deixa meu corpo dormir, deixa a minha alma sonhar.
Deixa...

Liberta-me um segundo,
Não peço o sol, não peço o Mundo...

Et cetera

É de forma reticente que encaro a vida,
E com reticências lhe dou uso
Rumo certo para um Mundo mais confuso
De caminhos por traçar e de muralha já erguida...


Tenho certeza de quase nada,
E tenho dúvidas acerca de quase tudo!
Por isto, deixo em aberto o conteúdo
Daquilo que me não agrada.


Sou feito de pensamento e sonhos breves
E com sonhos alimento a minha vida.
Pensar?Incomoda como insónia sofrida
Que me apaga os sonhos leves, tão leves...


As reticências são a minha essência natural,
Que me livram de sucumbir carbonizado
Pelas chamas do saber absoluto e unificado,
Que não passa de uma ambição supérflua e irracional.


De que valeria o Mundo inteiro
Se o Mundo soubesse toda a verdade?


A dúvida é sempre uma boa parceira...
E as retiências, uma feliz fatalidade.